Viva as mulheres! Viva, mulheres! Viva 8 de março! Notícias

  08/03/2017 08:00

Viva as mulheres! Viva, mulheres! Viva 8 de março!

O dia 8 de março é um dia de luta e celebração, dia de construir uma nova memória e buscar as referências que nos constituem, a nós mulheres, tão audazes. Dia de reafirmar nossas vitórias e discutir os entraves que ainda nos impedemde exercemos plenamente nossa cidadania.

Tomo aqui uma carta escrita em 1770 como exemplo do nosso passado de luta. Mulher, escrava, Esperança Garcia ousou ser alfabetizada em um contexto no qualo domínio da escrita era um direito limitado a poucos, e com certeza limitadíssimo às mulheres,particularmente a uma mulher escrava, afinal o saber formal e a possibilidade de expressão que a escrita contém, eram armas perigosas numa sociedade escravista e patriarcal.

Esperança Garcia viveu na região de Oeiras, na fazenda de Algodões, que juntocom outras dezenas de estâncias, pertenciam à inspeção de Nazaré, hoje município de Nazaré do Piauí, e ficou nos anais da história do Piauí por que escreveuuma carta ao governador do Piauí, Gonçalo Lourenço Botelho de Castro, denunciando os maus-tratos sofridos por ela, por seus filhos e por suas companheiras na referida fazenda.

Essa mulher ousou saber escrever, ousou usar sua escrita como instrumento de denúncia e de reivindicação de sua dignidade física e moral, de proteção aos seus filhos e marido e aos filhos e maridos de outras mulheres como ela: Esperança ousou solicitar providências do governo da província contra os abusos do administrador da fazenda na qual vivia. Ao escrever, suas reivindicações ultrapassam os foros local e privado tornando-se muito mais abrangentes, tornando-se universais por que abrangia outras múltiplas experiências de lutas vividas por outras mulheres, no Piauí, no Brasile no mundo.

O que fica da força e do poder de Esperança Garcia para nós mulheres do século XXI? Que é preciso garantir no dia a dia, na vida publica e na vida privada, um tanto de inconformismo e muita audáciapara desbravar territórios não autorizados. Todas nós somos herdeiras de sua luta, mas é preciso não esquecer que emponderar, verbo da moda, é um verno de ação, pressupõe luta. E que a luta das mulheres, são fundamentais para o efetivo fortalecimento das economias, o impulsionamento dos negócios, a melhoria da qualidade de vida de todos, mulheres, homens e crianças, sejam elas mães ou não, sejam elas donas de casa ou não, sejam elas casadas ou não. Para quem ainda, por incrível que possa parecer,não sabe ou não acredita nisso, deixo aqui a dica: leia o texto ONU Mulheres e o Pacto Global e, particularmente, leia Esperança Garcia. Ou olhe em sua volta: você sempre vai encontrar mulheres empoderadas, mesmo num regime como a escravidão que pretendia submeter e anular, “coisificar” as mulheres e os homens. Empoderar: é a carne que dá sentido ao verbo. Salve, Esperança Garcia. Salve, mulheres do meu Brasil.