28/06/2018 11:19
Na última terça-feira, 26/6, foi realizado o tão aguardado lançamento do tema da XXXV Gincana Cultural: “Teresina, meu amor”. O momento foi realizado na praça de eventos do Instituto Dom Barreto e reuniu gincaneiros, professores e até mesmo alguns pais e responsáveis que esperavam ansiosos pelo tema da Gincana de 2018.
O suspense foi então encerrado e o tema escolhido para a Gincana Cultura 2018 é: “Amar e mudar às coisas me interessa mais.” Todo ano um tema é escolhido para ser trabalhado, dando vida as tão aguardadas tarefas especiais e normais. É através desse tema que os alunos estudam e buscam referências para transformar suas ideias em realidade.
O dia 16 de agosto torna-se, portanto, um dia especial e de muita alegria, com cores, criatividade e emoção. O maior evento do IDB reúne gincaneiros, comissão organizadora, pais e responsáveis, profissionais das mais diferentes áreas em um sentimento que é comum a todos: o de ser família. Sim, uma grande e linda família dombarretana, que, mesmo na Gincana, em que os dois lados disputam por um resultado, o maior tesouro dessa jornada não é o troféu que será conquistado por uma das duas equipes ao final do dia. O maior tesouro são as amizades feitas, os conhecimentos adquiridos, as artes e os sonhos se tornando realidade através das provas e o sentimento de dever cumprido ao final de cada apresentação.
O maior sentimento é o da solidariedade, da partilha, do carinho e do Amor.
Confira abaixo a justificativa para a escolha do tema:
XXXV Gincana Cultural: “Teresina, meu amor” – Amar e mudar as coisas me interessa mais
Texto de Lançamento do Tema
Quero desejar, antes do fim,
Pra mim e para os meus amigos,
Muito amor e tudo mais;
Que fiquem sempre jovens
E tenham as mãos limpas
E aprendam o delírio com coisas reais.
(…) Não tome cuidado comigo,
Eu não sou perigoso:
– Viver é que é o grande perigo.
Antes do fim , Belchior.
Em tempos tão porosos a ódios, intolerâncias e incompreensões cotidianas, micros e macros, pessoais e sociais, locais e globais, as perguntas do jovem educador André Gravatá explicitam a urgência que a pós-modernidade coloca à nossa humanidade: “Como nossos atos vão combater a barbárie?”, e mais, “Como seguir com a possibilidade de ternura, de mudança, neste chão em que se expande um imenso infértil?”.
Ao fazer estas perguntas, relembra este jovem e indignado sonhador, que as últimas palavras escritas por Paulo Freire foram sobre o assassino de um indígena em Brasília em 1997. Na época, cinco adolescentes mataram um indígena que dormia numa estação de ônibus. Tacaram fogo no corpo dele e disseram para a polícia que estavam brincando… Nestas últimas palavras escritas por Freire, totalmente impregnadas de um total espanto diante da violência e uma urgente lucidez pela necessidade de denunciá-la, impregnada por raiva e indignação, impregnadas por um buraco na alma de incalculável abismo, Freire diz: “Se nossa opção é progressista, se estamos a favor da vida e não da morte, da equidade e não da injustiça, do direito e não do arbítrio, da convivência com o diferente e não de sua negação, não temos outro caminho senão viver plenamente a nossa opção. Encarná-la, diminuindo a distância entre o que dizemos e o que fazemos”. André Gravatá propõe que criemos uma maior intimidade com nossas dores e com as dores da realidade que nos constitui, olhando-as de frente e diariamente, para resgatar nossa capacidade de indignação e nosso desejo de mudança “para não aceitarmos respostas simples para problemas complexos, para não aceitarmos respostas medíocres nem diante de problemas simples”, e completa:
A cada segundo que a vida normal dilacera,
Rude,
Devorando corpos,
Proliferando calos,
Morre em nós a sutileza,
Aquela vastidão que não se compra…
Sim, é preciso ver e pensar sobre o que nos dói, sobre o que nos dilacera, mas é preciso mais. É preciso resistir e reinventar a vida urgentemente, amorosamente, cotidianamente. Como bons dombarretanos, sabemos que é preciso não nos deixarmos sucumbir pelas dores cotidianas, resta-nos, portanto, treinar os olhos e o coração porque “amar e mudar as coisas, me (nos) interessa mais.”
Como canta Belchior, numa outra canção, “não me (nos) peça que lhe faça uma canção como se deve/correta, branca, suave, muito limpa, muito leve” porque a vida não é leve, nem suave, mas é linda, dizemos nós, amparados, como somos, pela força que vem de vocês, gincaneiros; pelo sonho de fazer desta escola, cotidianamente, um ponto de inflexão para nossas dores e nossos “nãos”; pela esperança de que “a vida, a vida mesmo, só é possível reinventada”, como nos diz Cecília Meireles, que nos propõe olhar com agudeza para nós e para o mundo: O que nos dói? O que nos indigna? O que podemos fazer para mudar as coisas que nos dói e nos indigna? O que te dói e o que te comove, dombarretano, quando olhas para si e para o mundo em tua volta? O que devemos amar para mudar?
Que Chimamanda Adichie nos ilumine contra “os perigos de uma história única” e que São Francisco nos ensine a olhar o mundo e a nós mesmos, aqueles que são próximos de nós e os nossos outros, com compaixão. Que a grandeza do miúdo e a beleza do extraordinário possam nos ajudar a encontrar saídas para a dor e para o horror, e que as coisas boas da vida possam ser celebradas, cantadas, dançadas e realçadas, afinal não é para isso que estamos aqui, que estamos juntos? Para amar e mudar as coisas? Sim, a vida na sua complexidade nos interessa mais.
Paz e Bem!